domingo, 11 de janeiro de 2015

Em busca do "não lugar"


Prólogo
Não estaria louca, e é certo que não estava a sonhar. Já passava das nove horas da manhã do dia 31‎ de ‎dezembro. Eles compravam cervejas e vinhos para a virada do ano, e pães e queijos e frutas, pensando na lonjura do lugar. O supermercado pareceu-lhe um corredor cheio de pensamentos. "Longe é um lugar que não existe"! Lembrou-se das suas leituras de adolescência, quando Richard Bach trazia respostas às suas inquietações. Teve uma visão do Fernão Capelo Gaivota desfolhando-se na prateleira, imprimindo a velha dedicatória: “Por te ver sempre viva e livre te associei a esse livro, que é um hino ao amor e a liberdade. Se você conjugar sua vida com a minha serei um verdadeiro Fernão Capelo Gaivota”.

Muitos anos se passaram até que suas asas se rompessem no grande abismo. Nunca conjugou sua vida a coisa alguma. E agora ali não sentia nada além de sensações ocas, vazias de sentimento. Seguia a um “não lugar” qualquer, repaginando a vida por metáforas. Sem pressa que as portas do futuro se abram a sua solidão.

Vinte anos a distanciava dos passageiros. Sabia que o controle do “Destiny” estava nas mãos dos dois meninos e da menina de óculos, que a levariam a uma viagem instantânea numa velocidade infinita. A Teoria da Relatividade de Albert Einstein veio-lhe a cabeça, e a impulsionou a penetrar nas fendas do espaço-tempo. Precisaria se mover naquele dito espaço tridimensional, multidimensional, criado por eles. Desejava transpor as curvaturas da terra e encontrar a ponte para o sempre.

Eram exatamente 10:36:04 quando a ponte surgiu como um gavião-de-asa-larga sobre seus corpos prensados embaixo do bitrem. Um anjo bizarro tragou as quatro vidas suspensas no ar deslizando-as pelo reino do sono. As fendas se abriam por uma quarta dimensão e dobrava o espaço que ligava ao “além-do-homem”.

O novo ano começava ali, ‏‎10:41:54, daquele 31 de dezembro, com suas almas soltas, enlaçadas pela força da regenerescência do poder das águas. Ouviu-se o “ploc” do desarrolhar da garrafa de vinho, aberto sem muito cuidado, com o antigo saca rolhas de espiral e haste em “T”. Nos seus 27 anos era comum ele prender a garrafa entre as pernas, para ajudar na retirada da rolha, e certamente durante o ritual nunca refletira sobre a espiral, com voltas helicoidais, preservando intacta a cortiça que usaria na confecção da cortina do seu novo apartamento de recém-casado. Tudo se movimenta em forma ondulatória, é verdade! Toda a energia que se propaga no espaço tem esta forma e este fluxo!

Sinais de fumaça ondulavam pelo ar sobre a ponte, grafando formas de enxergar o mundo. Podia se sentir a energia do BigBang ainda atuando no universo. Dor, prazer, angústia, tranquilidade... Cada um sabia de si! Mas naquele instante exato havia apenas quatro crianças harmonizando as vibrações da aura, despertando os sentidos da alma.

I


 “Mas, agora,

 é o chão dos chacais; agora,

 é o vento uivando nos vales

 sobre o calor do sangue

 e da memória.”


Atravessou a ponte pensando nos versos do poeta maranhense, com quem dividiu a mesa no último aniversário do seu inquieto, e afetuoso amigo literata.

Viu muitas vidas se partirem assim. Ao longe era possível ouvir o dueto entre Amy Winehouse e Elis Regina. Sentiu o tremor da batida invertida de Jim Morrison... e Janis Joplin... e o roqueiro que acabara de conhecer. Caído no banheiro seu coração já não pulsava na sua euforia.

Dias atrás ele pegara o velho navio na companhia do seu amigo George Harrison. Não há lembranças de ouvi-lo cantar nada de Harrison nessa passagem, mas o vento do mar agora soprava no seu ouvido "Long Long Long"...

It's been a long long long time/How could I ever have lost you/


When I loved you./It took a long long long time,


Now I'm so happy I found you,/How I love you.


So many tears I was searching,/So many tears I was wasting,


Oh Oh now I can see you, be you,/How can I ever misplace you.


How I want you,/Oh I love you,


You know that I need you,/Ooh I love you


Tantas luas se passaram até ser chamado pelo canto da sereia para fazer a travessia. Atravessaram os sete mares da solidão até se reencontrarem naquele porto – ele e a professora de história da Universidade Federal do Piauí. 

Tudo começou na Idade dos Plásticos. "Crianças frenéticas cantavam hinos ao plástico... e ELE caminhava entre jardins coloridos. E uma garota com seus cabelos sintéticos LHE disse que o tempo ninguém conserta"... 

Aquele menino banhara-se nas águas da religião. No colégio de padres onde estudara era treinado para ser um "Soldado de Deus". Difícil era cumprir a regra de subir as escadas sempre pelo lado esquerdo e descer pelo lado direito.

O sacerdote jesuíta, nascido em Bérgamo na Itália e radicado no Brasil desde os anos 50, foi seu professor de química, dizia ele naquele fim de tarde do dia em que se sentava para jantar na sua revisitada cidade natal. Era 27 de dezembro de 2014 quando ele relembrava a figura mitológica do padre Florêncio.



“Quando o menino, quando o mancebo estiver assim fortificado, por uma
educação essencialmente religiosa, quando sua alma banhar-se nas águas
salutares da religião, será então e somente então, que sob a égide dessa
mesma religião, poderá ele arriscar a travessia e confiar ao mar tempestuoso
do mundo a frágil barquinha dos seus quinze anos, certo de poder,
em caso de perigo, lançar bem funda a âncora que piedosos hábitos lhe prepararam,
pois, diz a Escritura, o mancebo seguirá a rota que tiver percorrido
 em sua adolescência e jamais se afastará dela, mesmo na velhice”.  
 “GUERRA SECTÁRIA”: ENSINO CATÓLICO E ENSINO LAICO NO PIAUÍ
NAS DUAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX
Áurea da Paz Pinheiro – UFPI

Influenciado pelos acordes dissonantes da escola diocesana, e levado ao reconhecimento dos naipes da orquestra e dos instrumentos, fora induzido a se apresentar nas missas dominicais. Era um preço justíssimo, dissera!

Mas não tardou, estava pronto para se jogar no mar tempestuoso na dita Idade dos Plásticos!

Eram os anos 80! Época em que a juventude do Brasil vivenciava a tal liberdade consentida. Tempo de abertura política! E aquele estudante de economia debatia o enterro da expansão econômica vivida nos anos 70, entre uma pegada e outra nas íntimas partes das garotas que desfilavam a pós modernidade nos estreitos corredores do CCHL. Ali ele arriscou fazer a travessia e se jogar ao mar tempestuoso, sob a égide da 'Police', do exagero e da ostentação (e não da religião). 


O escudo mágico do rock manifestou sua força, e as quintas-feiras ufpianas lhe deram voz, retrataram seus sonhos, suas insatisfações (“But my silent fears have gripped me/Long before I reach the phone/Long before my tongue has tripped me/Must I always be alone?”). E sob sua proteção, seu poder, e seu pleno acordo, fizeram ele romper com as convenções diocesanas. 

Flávio de Castro içou âncora e soltou as amarras. Cantou o canto da nova geração:

A IDADE DO PLÁSTICO
Em 3005, crianças frenéticas
Cantavam hinos ao plástico
E eu caminhava entre jardins coloridos.
Fortes e vibrantes.
Cores ou corantes?
E uma garota com seus cabelos sintéticos
Me disse que o tempo, ninguém conserta...
E eu sorri na sua cara
Como uma boa desculpa...
Em 3005, crianças cantavam hinos ao "Plástico"
NOIGANDRES, ANOS 80- Marcos de Oliveira, Machado Junior, Flávio de Castro e Alexandre Rabêlo.



segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Macaco-prego (Cebus libidinosus)





















Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? 

Afinal, viemos ou não viemos dos macacos? 



Não venho aqui com argumentos científicos nem com a intenção de tratar da origem das espécies. Apenas um dia desses, no mês de julho do ano de 2014, senti um prego bater na minha mão, e senti sua dor rasgando a minha carne!



Essa é a residência do Dário e da Josefina, lá no Mercador-Pio IX-PI. Vendo a foto assim, sugere-se que eu esteja muito a vontade nesse cumprimento caloroso.

Ao ser abordada na porta da casa, segurei a mão desse indivíduo e fiz boa vizinhança, mas certa de que se tivemos um ancestral em comum, isso não contaria num tête-a-tête. Possíveis ataques-defesas poderiam surpreender a minha pessoa demasiadamente humana. 

Dito e feito, com seus afiados dentes ele me mordeu! E mordeu mais uma meia dúzia de humanos demasiadamente humanos.

Mas essa história levou alguns meses para ser escrita.

Ouvi os proprietários da casa contarem: - Um dia chegamos da feira e a casa tava revirada. O teto destelhado, o liquidificador fedendo a queimado, e os depósitos de mantimentos mordidos e destampados. "Demo dicumer a esse bicho infeliz desde o dia que chegou aqui, mas se num levarem ele, num sei não!" 

A ameaça estava declarada! Dar abrigo a um macaco não é tarefa fácil! Tanto não é que o destino dessa criaturinha foi jogado numa roleta, onde todos perderam suas apostas.






















Não foi difícil convencer o inocente a entrar na jaula, que já lhe parecia familiar. E pude indagar sobre a sua origem, enquanto o levava para o polo universitário onde trabalho.

"Os macacos-pregos são animais primariamente arborícolas, mas são muito adaptáveis e oportunistas, e podem viver em ambientes extremamente perturbados pelo homem, sendo encontrados, inclusive, em ambientes altamente industrializados e urbanizados. Ocorrem no continente sul-americano, e duas espécies são endêmicas do Brasil. São encontrados desde a bacia Amazônica até o sul do Paraguai e norte da Argentina e por todo o Brasil. Por esses territórios, habita uma ampla variedade de formações vegetais, desde as florestas úmidas da Amazônia e Mata Atlântica, até áreas mais secas, como a Caatinga e o Cerrado, assim como o Pantanal, e o Chaco seco na Bolívia e Paraguai" - http://pt.wikipedia.org/wiki/Sapajus.

Sempre tivemos notícias de bandos nos interiores de Pio IX-PI, desafiando as plantações de caju. Muito hábil com as mãos, eles quebram as castanhas usando pedras e pedaços de pau, irritando os plantadores pelo prejuízo na lavoura.






















Usurpado da natureza, esse preguinho das fotos foi criado domesticamente, e depois dispensado do convívio de uma, duas, três famílias de humanos. Até ser jogado na mata seca, sem nenhum processo de reeducação. Assim passou a incomodar os moradores, invadindo as residências das localidades de Mercador, Boqueirão, Vertentes etc, no município de Pio IX.

Foi nesse contexto que o encontrei. Achando ser simples o contato com os órgãos responsáveis pela preservação ambiental no Piauí, e com o intuito de garantir-lhe um lugar seguro, fiquei com essa adorável criatura por mais de três meses, aguardando o resgate. 























Sofri com sua carência, seu desejo de colo, sua vontade de ser livre. Observei seus desejos e necessidades, suas intenções e preferências, sua capacidade de sofrer e sentir prazer. Sua traquinagem, sua auto-defesa, sua genialidade, sua bagunça e destruição. Fui apedrejada, mordida, me vacinei, senti medo! Tomei chuva ao seu lado pra não deixá-lo só, me irritei, perdi sono, chorei, sorri...





Até que finalmente o Ibama chegou para fazer aquilo que eu sempre soube ser inadequado: soltá-lo na natureza. 
Sem o acompanhamento de um especialista, para seguir toda a complexidade técnica e científica necessária para esta reintrodução, o macaco foi levado para a cidade de Guadalupe-PI, onde há ilhas formadas pelo lago da Usina Hidrelétrica da Boa Esperança. 
Nunca saberemos seu fim, mas estará lutando entre os seus para sobreviver.

sábado, 6 de abril de 2013

Árvores do Piauí






























 Nome Científico: Andira anthelmia

Família: Fabaceae Faboideae


Nomes populares: Angelim de morcego, Angelim amargoso, Angelim pedra, Angelim do campo.


Características: Árvore de médio porte, 14 a 18 metros de altura, com belíssima floração entre roxo e rosa, que dura poucos dias. Folhas imparipinadas, folíolos de 10 cm. Fruto redondo, 4 a 6 cm diâmetro, verde e duro, mesmo quando maduro.


Utilidades: Própria para arborização urbana. Melífera. Frutos atrativos para a fauna, mamíferos terrestres e morcegos.


Época de floração e frutificação: Floresce aproximadamente de Julho a Agosto, os frutos permanecem na árvore muitos meses, caindo um pouco antes da floração. ( fotos tiradas no dia 28 de março de 2013).

Umbuzeiro



















As flores do umbuzeiro são brancas, perfumadas, melíferas, agrupadas em panícula de 10-15 centímetros.



  












 












 













Umbuzeiro ou Imbuzeiro - Spondias tuberosa, L., Anacardiaceae,árvore de pequeno porte (mede até seis metros de altura) de copa larga (até quinze metros de largura) originária dos chapadões semi-áridos do Nordeste brasileiro, que se destaca por sombra e aconchego. Nos tempos do Brasil Colônia era chamado de ambu, imbu,ombu, corruptelas da palavra tupi-guarani "y-mb-u", que significava "árvore-que-dá-de-beber" (embora haja a possibilidade de que seja, de fato, uma palavra de origem Kariri[1]).

Dada a importância de suas raízes, foi chamada "árvore sagrada do Sertão" por Euclides da Cunha. Sua raiz conserva água e produz uma batata, que em época de grande estiagem, é utilizada como alimento. O Umbuzeiro vive mais ou menos 100 anos, e é um símbolo de resistência.

Suas folhas, de grande valor alimentício, com gosto "azedinho", também são usadas como alimento pelos seres humanos. O fruto do umbuzeiro é denominado umbu.
Fruto muito apreciado e consumido, tanto pelo homem como pela fauna, o umbu possui um caroço revestido por uma suculenta polpa e, na superfície, por uma película esverdeada, tendendo, à medida que amadurece, para a cor amarela. O umbu tem, em média, de três a quatro centímetros de diâmetro.
Muito rico em vitamina C e com característico sabor azedinho, o umbu, além de ser consumido ao natural, é utilizado em preparos culinários, como sorvetes, geléias, doces e umbuzada, iguaria preparada com leite e açúcar, muito apreciada no nordeste. http://pt.wikipedia.org/wiki/Umbuzeiro
http://www.seagri.ba.gov.br/Umbuzeiro.htm




Pau d'Arco (Ipê-amarelo)














 


















 
O Ipê amarelo é uma árvore brasileira heliófita, considerada a árvore símbolo do Brasil (Em 1961, Jânio Quadros declarou o Ipê amarelo como a flor nacional).

Nome científico : Tabebuia.

Nomes populares : Ipê Amarelo, Ipê branco, ipê do cerrado, pau d'arco.

Família: Bignoniaceae. Planta secundária de tamanho grande chegando até 20 m de altura. Com floração abundante que desabrocham de agosto a novembro. Ipê é uma palavra de origem tupi, que significa árvore cascuda. É produtora de excelente madeira, além de ser belíssima ornamental.


Pereiro 



























Pereiro (Aspidosperma pyrifolium) é uma árvore nativa da caatinga nordestina, principalmente em várzeas fluviais e terrenos próximos a elevações de terra.


Características


Árvore de tamanho médio, com 7-8 m de altura, lactescente, com caule bem desenvolvido, ereto e de copa normal em ambientes não degradados.


Casca de sabor amargo, lisa, acinzentada, com lenticelas brancas quando jovem, e rugosa, largando em placas irregulares quando idosa


Folhas simples, alternas, ovais, de 4-9 cm de comprimento, amargosas e coriáceas


Flores aglomeradasem pequenas cimeiras terminais, alvas, pequenas, de perfume muito agradável, que se espalha pela caatinga.


Frutos lenhosos, em forma de gota achatada, de 5-6 cm de comprimento, castanho-claros, rico em lenticelas de cor cinza (pequenos pontos), que abrem-se na sua deiscência em duas bandas e deixam cair as sementes aladas, planas, papiráceas (com projeções que lembram folhas de papel), sendo assim, levadas a longas distâncias
Madeira de cor amarelo-clara ou creme, ora com manchas avermelhadas, ora com faixas acastanhadas, moderadamente pesada, macia e fácil de trabalhar, de textura fina e uniforme, resistente e muito durável. http://pt.wikipedia.org/wiki/Pereiro_(%C3%A1rvore



Mandacaru


 

 
 







Sugestão de leitura: Andrade, Cássia Tatiana. Um estudo etnobotânico da conexão Homem/Cactaceae no Semi-Árido Baiano, 2002. 102f.

Juazeiro






  





Pajeú (Triplaris gardneriana)







Caatingueira (Poincianella pyramidalis (Tul.) 


Jurubeba (Solanum paniculatum L)




Mulungu