terça-feira, 10 de janeiro de 2012

domingo, 8 de janeiro de 2012

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Libélulas - primeiros animais com a capacidade de voar (era Paleozóica)

Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Odonata

Habitat: áreas urbanas e rurais, jardins, margens de matas próximas à água.


No Brasil é conhecida pelos nomes: papa-fumo, helicóptero, cavalinho-de-judeu, cavalinho-do-diabo, donzelinha, jacina, jacinta, lava-bunda, lavadeira, odonata, macaquinho-de-bambá, pito, ziguezigue. E ainda ouvimos em Pio IX a chamarem de seca poço, além de taradinha de Deus segundo meu amigo Cineas Santos.
Completamente inofensivas para o ser humano, também exercem uma ação purificadora sobre o ambiente.  Predadora voraz em seu ambiente, a libélula é capaz de comer 14% de seu peso se alimentando apenas de outros insetos voadores - abelhas, moscas, besouros, vespas, outras libélulas menores, pernilongos e até o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Prestam serviço inclusive aos criadores de gado, vivendo perto dos bebedouros do gado, aguardam a chegada das manadas e caçam em voo as moscas e mosquitos que os incomodam e que são muitas vezes portadores de doenças.
Quem tiver dúvidas quanto à qualidade da água de um rio ou lago pode fazer o "teste da libélula", que consiste na simples observação se há libélulas na área. Todo rio ou lago com águas limpas tem libélula. No entanto, a menor alteração físico-química da água ou do ar já será suficiente para expulsá-las, além de impedir que dos ovos saiam novas larvas. Deste modo, a presença do inseto funciona como um excelente bioindicador da qualidade do meio ambiente.





Os machos adultos são inconfundíveis por serem os únicos no nosso país a terem uma grande mancha escura em cada asa.

Os seus olhos conferem-lhes um campo visual de 360 graus, sendo o maior olho proporcional do reino animal.

Algumas espécies têm ovos envoltos em material gelatinoso, formando uma fita.



O macho e a fêmea copulam enquanto estão voando. Ao ser fecundada a fêmea deposita seus ovos em uma planta na água, ou na falta desta deixa os ovos caírem na água. É comum vermos as libélulas encostando a "bunda" na água, por isso o apelido de lava-bunda.

Passam a maior parte do ciclo de vida como larvas, na água (4 a 5 anos). Na sua fase adulta devem ter pressa em procurar parceiros e acasalar, pois durarão apenas dias ou até um período máximo de 2 meses. Apenas 10% de sua vida corresponde a fase não larval.

Os machos seguram as fêmeas e a transferência de esperma ocorre pelo contato das genitálias, através de flexão do abdome da fêmea. Ocorre comportamento de corte, envolvendo estímulos táteis, químicos e visuais.


Graças ao fantástico aparelhamento biológico que possui, uma libélula consegue planar, o que é impossível para a maioria dos insetos alados. Enquanto uma abelha vibra suas asas 4 vezes por segundo e muitos mosquitos imprimem até 8 batidas, a libélula bate suas asas 50 vezes por segundo.


Em média, elas se mantêm voando por 5 a 6 horas diariamente. O absoluto controle de vôo da "demoiselle" (senhorita, como a libélula é chamada pelos franceses), inspirou o brasileiro Alberto Santos-Dumont na criação de seu modelo mais bem sucedido: o Demoiselle. 

As libélulas têm inúmeros predadores entre os quais podemos citar as aranhas, as rãs, os sapos e as aves. Na foto acima a vemos presa em teias de aranha.




As libélulas possuem seis pares de patas (fortes), com pontas afiadas, localizadas na extremidade próxima a cabeça, ligadas ao tórax.  Elas podem usar as pernas para ficar em um ramo ou uma folha, mas não são feitas para andar.


Elas são predadores insaciáveis de moscas, mosquitos, besouros, abelhas, vespas que apanham em vôo e, em alguns momentos, se alimentam da sua própria espécie, para tanto possuem um aparelho bucal do tipo mastigador. (foto: na pata, a presa).


fotos acima - mastigando suas presas.






Donzelinhas ou libelinhas - Possuem dois pares de asas semelhantes, diferentes das libélulas, cuja as asas traseiras são mais amplas do que as asas anteriores. Quando pousam, mantém as asas juntas e paralelas com o corpo. Os olhos das libélulas ocupam uma grande parte da cabeça e quase se tocam, enquanto na donzelinha existe um espaço entre eles.


Sugestões de músicas:

Saio do trabalho, pego a bicicleta e pedalo até um brejo qualquer, onde posso sem pressa esquecer do tempo. Não sei o que me chama ao esvoaçar das libélulas, mas estou presa a uma rotina que perdura. Tantas vezes o pingo do meio dia me pegou ali, acocorada, mendigando uma pausa no voo, atolada na lama que se forma nos últimos córregos das últimas chuvas. Dialogo em voz alta com as criaturas, pedindo uma pose - "só uma por favor!" Ás vezes xingo, mando ir às favas, e agradeço enfim, ao vê-las sorrindo para minha lente. 
O certo é que nenhum humano das minhas relações teve moleira resistente pra acompanhar um dia dessa trama fotográfica até o fim. Nesse mês de setembro, um surto de solidão me fez buscar companhia pra minha caça no meio do nada. O que me responderam? - "Só um doido ou inocente arriscaria, numa época dessas, queimar os miolos nessa brincadeirinha em pleno sertão nordestino". - Hum! A criaturinha de seis anos seguiu iludida por minha narrativa sobre caverna do dragão, lobo mau, e floresta encantada. Eu precisava de uma vozinha qualquer que desse eco ao meu movimento no meio da mata seca. Me limitei ao meu vício (clic clic) e só na milésima vez consegui ouvir aquela criança debaixo do sol causticante (12:42h) dizer: - "agora eu não aguento mais!". - "Caramba, por que não vim sozinha!" Foi o eco que ricocheteou dentro de mim. 
Porém confesso que também me sinto cansada, do sol, da falta de equipamento, e assim volta e meia, "dou um tempo"!
Pensei que só publicaria um post dessa espécie quando tivesse uma lente apropriada, uma macro que satisfizesse meu próprio desejo de maximizar os detalhes das libelinhas. Na falta de grana resolvi compartilhar assim mesmo algumas imagens.  Fico devendo melhores momentos.

Publicação em outros sites:

terça-feira, 30 de agosto de 2011

a florzinha do pereiro


Perfumando a mata nua
Do nordeste brasileiro
Vai cumprindo a sina sua
A florzinha do pereiro

Moços, moças passeando
Num convívio tão fagueiro
Entre si vão ofertando
A florzinha do pereiro

Ai sertão do Piauí
Pio IX feiticeiro
Muitas vezes penso em ti
Com saudades do pereiro.

A FLORZINHA DO PEREIRO foi composta por José de Alencar Bezerra, inspirada num tema de reisado do Piauí. Zezim conta que com essa canção recorda o costume que havia entre os namorados, em Pio IX, de trocarem flores entre si. (MEMÓRIAS, p 95, Editora Henriqueta Galeno, Fortaleza-CE.)

Zezim Cego foi aluno do Instituto dos Cegos do Ceará, nos anos de 1944 e 1945, quando então usava seu acesso à imprensa de Fortaleza para combater o preconceito sobre a cegueira. NO MUNDO DO FOLCLORE - Editora Henriqueta Galeno, Fortaleza, 1979 - é possível encontrarmos um trecho que resume a admirável capacidade de leitura de um cego, quando Zezim diz:

"Sei sentir e admirar 
Encantos originais
Mesmo sem ter o auxílio
Dos meus olhos corporais"

Vejo com os olhos d'alma
Crio na imaginação
Grandiosos panoramas
Deslumbram meu coração."  

Foi com os olhos d'alma que Zezim enxergou o sertão de Pio IX. Essa forma de ver o mundo logo me remete a Fernando Pessoa:

"Sou um guardador de rebanhos,
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz."

Enfim, faço voltas pra dizer que A FLORZINHA DO PEREIRO (acima) de Zezim Cego, só poderia ser composta por quem usa todos os sentidos para perceber o mundo. São raros os sertanejos que se apercebem da delicada beleza e do delicioso cheiro da flor do pereiro.
Algumas vezes levei comigo a Socorro Pinho, junto às minhas lentes, na caça a focos da caatinga. E ouví-la, diante da florzinha do pereiro, descrevendo suas sensações de quando morava na zona rural, é tão contagiante quanto pensar nas sensações de Zezim Cego. O mundo é fantástico sob a ótica dessa gente!
Pena que não foi dado a alguns a oportunidade de ler nas entrelinhas das vidas que nos cercam.
Nesse ano de 2011 em Pio IX testemunhei uma ação de meus primos (dos queridos) desmatando uma área para loteamento. A máquina passou sem escrúpulos por cima de pedras e paus (como o pereiro). A mais linda copa que já vi formada, estava branquinha de florzinhas perfumadas. Sob o meu ponto de vista aquela árvore antiga só enriqueceria a área urbanizada. A exemplo, o Valvenarque (do Chiquim do Lulu) conserva uma igualzinha no quintal da sua casa, bem no centro da cidade. Havia também ali naquelas terras um pé de mandacaru, que somava mais de 70 flores a cada botada. Lindas, exuberantes, perfeitas para compor o jardim de um conjunto popular, ou sei lá o que. Tudo devastado! Nada além de sifras foram vistas. O loteamento nunca saiu, e um vazio aguarda as novas supostas moradas, onde provavelmente os pássaros cantarão no fundo de uma gaiola.




Esses são os frutos do pereiro, que abrem-se em duas bandas, como asas de galinhas. Talvez galinhas d'angola, com pequenas pintas. É assim que a memória do povo de Pio IX guarda a saudade da infância, quando se brincava de criar galinhas com os frutos do pereiro.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Ovos de pomba na feira


No Pio IX há fartura
Tudo aparece na venda
Ananás, farinha e fazenda
Muita carne e rapadura
Enquanto a fartura dura
É uma abundância inteira
Mel, bolo, tijolo e cera
Feijão, peixe, jerimum
Ovos de pomba na feira

Muita pacova e caju
Café em calda e em caroço
E queijo no ponto grosso
Doce chamado umbu
Por ali, até jacu
E raiz da batateira
Fruteiras e paneleiras
Instrumento e tocador
Tinha até para compor
Ovos de pomba na feira

José de Alencar Bezerra publicou " O Velho Justino" (Justino José Fernandes), no Correio da Noite, Rio de Janeiro. 1947.
Justino José Fernandes nasceu na fazenda "Croatá", município de Pio IX.


75 choveu
76 neblinou
Tudo que cinco criou
77 comeu
O povo se retirou
Acossado da carência
Só um bom Deus de clemência
Do seu trono não se move
Espera tem paciência
Vamos ver 79

Vou-me embora, vou-me embora
Vou mudar de residência
Vou fazer meu aposento
Lá no termo de Valência

Aquilo que Deus não quer
Nada vale a diligência
O remédio que nós temos
É sofrer com paciência.

Justino José Fernandes cantou as mágoas da seca de 1877 nestes versos, publicados por José de Alencar Bezerra. No Mundo do folclore, Henriqueta Galeno, Fortaleza, 1979.

sábado, 30 de julho de 2011

Mina de Mármore de Pio IX - TV Cidade Verde

No programa Feito em Casa, da TV Cidade Verde - Teresina-PI, Cineas Santos traz mostras do potencial cultural e natural do município de Pio IX., em sábados subsequentes. A exemplo: 
http://www.cidadeverde.com/pio-ix-possui-uma-das-melhores-e-mais-belas-jazidas-de-marmore-do-brasil-81653

sexta-feira, 29 de julho de 2011

sublevação na olaria

 - E aí, vamos levar um papo? Um tijolinho aqui, um tijolinho ali...
- Qual é, tá me estranhando? Eu não sou pro teu bico!

- Ei, calma aí! Pra que brincar de gato e rato, se podemos fazer coisa melhor?!
- É, pois que tal brincar de "Tapa de Gato", quer?

- Ah!Ah!Ah!, sei sei. Você dar o tapa e esconde as unhas.

- Vou te mostrar como é que é, seu louro tagarela.

- Arre égua! Curupaco, curupaco papaco!

- Qual é! Não tem pena não, é!?
- Pena, eu!? Tu já viu gato com pena? E sai pra lá, seu cara de bandeira do brasil!
- Deixa eu te contar um segredinho, vai!.

- Então, o que você acha, quer experimentar?
- Hum!

- É isso aí! Relaxa bichano.

- Tu pode até não ter pena, mas que é pro meu bico, lá isso é!
Pode ronronar, pode ronronar!

- Miau miau miauuuuuuuuuuu!
- Isso, deita e rola!

- Ahhhhh gatinho safado!

E assim... tijolo por tijolo num desenho mágico, o muro vai se formando. E como diz o poeta "Não há muro tão consistente que não possam atravessá-lo. a água o musgo o poema".


O oleiro
sob a supervisão do sol
Ergue pilhas de tijolos
O papagaio
Avesso ao gesto obtuso
Do muro que se forma
Sobe no batente
E soletra lições de ternura.