sexta-feira, 29 de julho de 2011

sublevação na olaria

 - E aí, vamos levar um papo? Um tijolinho aqui, um tijolinho ali...
- Qual é, tá me estranhando? Eu não sou pro teu bico!

- Ei, calma aí! Pra que brincar de gato e rato, se podemos fazer coisa melhor?!
- É, pois que tal brincar de "Tapa de Gato", quer?

- Ah!Ah!Ah!, sei sei. Você dar o tapa e esconde as unhas.

- Vou te mostrar como é que é, seu louro tagarela.

- Arre égua! Curupaco, curupaco papaco!

- Qual é! Não tem pena não, é!?
- Pena, eu!? Tu já viu gato com pena? E sai pra lá, seu cara de bandeira do brasil!
- Deixa eu te contar um segredinho, vai!.

- Então, o que você acha, quer experimentar?
- Hum!

- É isso aí! Relaxa bichano.

- Tu pode até não ter pena, mas que é pro meu bico, lá isso é!
Pode ronronar, pode ronronar!

- Miau miau miauuuuuuuuuuu!
- Isso, deita e rola!

- Ahhhhh gatinho safado!

E assim... tijolo por tijolo num desenho mágico, o muro vai se formando. E como diz o poeta "Não há muro tão consistente que não possam atravessá-lo. a água o musgo o poema".


O oleiro
sob a supervisão do sol
Ergue pilhas de tijolos
O papagaio
Avesso ao gesto obtuso
Do muro que se forma
Sobe no batente
E soletra lições de ternura.

2 comentários:

  1. Adorei o poema e o papo de gato e papagaio.

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  2. Comeu feijão com arroz como se fosse um "PRÍNCIPE"

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